quinta-feira, 31 de julho de 2014

Tem dias que a alma escorre lenta
como uma escarrada sólida na parede.

E tudo mais pode esperar
o tempo que você desenrola
e se desfragmenta
na parede irregular.


quinta-feira, 1 de maio de 2014

A saudade bate asas.Bate grossas asas vastas. Corta canyons em nihil maior.
Dá rasantes sobre o rio estático. Acelera. Plana. Desliza. Paira.
Faz manobras insolentes.
E, quando escurece,
 se encerra nas asas negras.
Selada e taciturna. É a morada do desespero.



segunda-feira, 24 de março de 2014

ressurge.
 tem urgência.
 tem força.
 é audaz.
rasga a fina manta morna da calmaria.
flutua no ar,  Marion no trapézio.
sorri, curinga serena.excessiva.

Do alto do edifício,
um par de olhos enferrujados.
trajando um par de asas incoerentes
mirando o inerte ponteiro low-tech.

cortando a rua transeuntes desertos.
o vento.
o som ansiado de sete trombetas.



terça-feira, 5 de novembro de 2013

BARTOLOMEU

                                                   "Todos os santos estão mortos"

I.
 "Você é um escroto ! ", ela disse. "É podre! Uma das pessoas mais podres que eu já conheci na vida!". Ele não entendia. Fora bruscamente interrompido do filme que assistia por aquela mulher descontrolada. A sua mulher.
" O seu problema é que se acha bonito e claro e puro. Se acha um bom cristão, bom marido, só que no fundo você sabe que está sempre interpretando. Fica conversando com as meninas como se estivesse massageando a boceta delas. Fica ali, aquecendo, preparando, como se fosse colocar o pau lá dentro, como se tivesse uma coisa colossal ai dentro da sua calça! Você é sempre uma propaganda enganosa! " Ele tentava manter a expressão de um santo assustado, mas o lado santo escorria do rosto como se procurasse um buraco pra se enfiar. Com um único tapa na mesa ela alcançou o maço de cigarros e isqueiro, virou de costas e desceu as escadas, quase correndo.




quinta-feira, 27 de setembro de 2012

domingo, 16 de setembro de 2012

Ao redor uma platéia gargalhava
E eu sufocando com o escarro interrompido (de sempre)
A neurose muda a lente e funciona como um raio-x demoníaco
Cada sorriso de cada boca maldita se voltava para mim como 3/4 do inferno.
Saltando entre precipícios com a intenção pouco latente de não chegar
Há a garrafa que faz confortável o arame farpado em que deslizo
Com a graciosidade das crianças psicopatas.
E só existe beleza no sangue que pulsa com a dor
E o escuro, o profundo, a loucura, o gole seco, a gozada apática
As estruturas copiadas.
Buscar uma corrente no Mar Morto
Trilhar um caminho costurado com passos bêbados
Em uma lama que se fecha apagando as minhas pegadas.

Lá Lach

quinta-feira, 26 de julho de 2012