terça-feira, 22 de maio de 2012
Maria grita sob minha janela seu nome indecifrável em uma voz de Marge Simpson histérica e, às sete e quarenta e três da manhã, eu começo a criar um vínculo com ela. Acordar cedo me dá vontade de usar drogas, não é mais como antigamente. Além disso, o tempo demora mais a passar e eu não consigo fazer nada neste exagero de tempo. Como Maria, também os carros passam lá fora. Esse é o som ambiente e é a trilha sonora, uma mesma trilha sonora circular se passa para todas as cenas dos moradores desse prédio amarelo-mijo, e do pequeno da frente também. Eu precisei afinar minhas fibras nessa mesma vibração por uma questão de adaptação voluntária, por uma vida mais harmônica ( juro que descobri muita paz em São Paulo! Mais do que nas montanhas, depois de vinte e tantos anos, quem diria... tem gente que se afina mais com buzinas, motores. Tem gente que não. Eu estou na primeira opção). Em relação aos transeuntes, me sinto como um rato. Não por evitar exposição, mas por tentar me manter escondida, o que não é a mesma coisa, de forma alguma, neste caso. E esse "vir-a-ser" rato é uma sensação das melhores dentre as que descobri estando careta. Algumas vezes parece que estou em um aquário, para ser observada por quem quiser. Isso nunca foi bom. Mantenho as janelas sujas pra evitar que se veja com clareza, da rua, algo além da fachada. Na parede o urso ainda cheira o gato apavorado. Me mantenho passiva, morro de sono. Morro . É cedo e eles todos dormem, ou fodem (os bons moradores dos Jardins, eu quis dizer).
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