O mundo sempre foi dividido em 2 (duas) Partes: a dos feiticeiros e a dos enfeitiçados.
Existe uma velha história de que todos falam, mas só falam para sí mesmos, e ninguém fala nela publicamente, embora aconteça publicamente o tempo todo, na vida normal, mas que ninguém, por causa de uma nojenta hipocresia geral, quer confessar que a percebeu, viu e viveu.
É a história de um enfeitiçamento geral da qual todos participam em maior ou menor grau, mas sempre fingindo nada saber e tentando esconder sua participação seja com o inconsciente, com o subconsciente e principalmente com toda sua consciência.
A finalidade desse enfeitiçamento é sustar uma ação que eu iniciei há anos e que consiste em fazer com que todos abandonem esse mundo fedorento, em acabar com esse mundo fedorento.
Se fui internado e mantido em confinamento durante 8 anos, esse é o resultado de uma má vontade geral que procura impedir de qualquer modo que o Sr. Antonin Artaud, escritor e poeta, possa realizar na vida as idéias que proclama em seus poemas, porque eles sabem que o Sr. Antonin Artaud tem meios de agir que devem ser barrados, quando ele, junto com algumas almas que o amam, quiser sair desse mundo servil, de uma burrice asfixiante, tanto para ele como para os demais. As pessoas são idiotas. A literatura esta esvaziada. Não existe mais nada nem ninguém, a alma é insana, não existe mais amor, nem ódio, todos os corpos estão saciados, as consciências resignadas. Não existe mais nem mesmo aquela inquietação que penetra no vazio dos ossos, só existe uma enorme satisfação de inertes almas bovinas, escravas da estupidez que as oprime e com a qual copulam sem parar, noite e dia, escravos como eu que tentam manifestar seu desespero contra uma vida conduzida por um bando de criaturas insípidas que querem nos impor seu ódio contra a poesia, seu amor pela estupidez burguesa num mundo inteiramente aburguesado, com todo esse ronronar verbal de soviets, anarquia, comunismo, socialismo, radicalismo, repúblicas, monarquias, igrejas, ritos, relacionamentos, controles, câmbio negro, resistência. Esse mundo que apenas sobrevive a cada dia que passa, e a cada dia a alma também é chamada para finalmente nascer e vir a ser. Nada disso é motivo para me fazerem passar por louco, a fim de se livrar de mim e me adormecer com eletrochoques para que assim eu perca a memória medular da minha energia. Sei que tudo isso é pessoal e não interessa a ningúem, porque as memórias dos poetas mortos são lidas, mas para os poetas vivos não mandam sequer uma xícara de café ou um pouco de ópio para reconfortá-los. Eu tinha um bastão. Esse bastão servia para castigar os maus espíritos (eu os adoro, mas mesmo assim eu sento o pau neles). Isso não adianta de nada, porque depois da surra eles voltam mais fortes ainda.
Eu tinha um bastão e o tinha levado comigo para a Irlanda a fim de encontrar os vestigios da Antiga Cultura dos Celtas que ainda poderiam existir por lá.
Antonin Artaud.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
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A literatura esta esvaziada. Não existe mais nada nem ninguém, a alma é insana, não existe mais amor, nem ódio, todos os corpos estão saciados, as consciências resignadas. Não existe mais nem mesmo aquela inquietação que penetra no vazio dos ossos, só existe uma enorme satisfação de inertes almas bovinas, escravas da estupidez que as oprime e com a qual copulam sem parar, noite e dia, escravos como eu que tentam manifestar seu desespero contra uma vida conduzida por um bando de criaturas insípidas que querem nos impor seu ódio contra a poesia, seu amor pela estupidez burguesa num mundo inteiramente aburguesado, com todo esse ronronar verbal de soviets, anarquia, comunismo, socialismo, radicalismo, repúblicas, monarquias, igrejas, ritos, relacionamentos, controles, câmbio negro, resistência. Esse mundo que apenas sobrevive a cada dia que passa, e a cada dia a alma também é chamada para finalmente nascer e vir a ser.
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